Nazım Hikmet: 10 poemas essenciais, o que significam e onde ler
Dez poemas essenciais de Nazım Hikmet, de Seni Düşünmek a A nogueira: leia em turco com a nossa tradução, onde ele os escreveu e as melhores edições em inglês.
Índice

Nazım Hikmet (1902–1963) escreveu alguns dos poemas de amor mais conhecidos da literatura turca moderna em uma cela, e um de seus poemas mais queridos sobre a terra natal no exílio. Aqui estão dez poemas para começar: oito deles completos com a nossa tradução, onde ele os escreveu e os livros em inglês que valem a compra.
Em poucas palavras
Primeiro, dez poemas; depois, a epopeia.
- Comece por: Seni Düşünmek, Yaşamaya Dair (Sobre viver) e Ceviz Ağacı (A nogueira).
- Em inglês: Poems of Nazim Hikmet, traduzido por Randy Blasing e Mutlu Konuk (Persea Books).
- Sua vida em uma frase: nasceu em Tessalônica em 1902, ficou preso de 1938 a 1950, viveu no exílio a partir de 1951 e morreu em Moscou em 1963.
- Atenção: muitas “citações de Nazım Hikmet” na internet são versões reescritas. Confira em um livro impresso.
- Para ler inteiros: oito dos poemas estão completos mais abaixo, em turco com a nossa tradução verso a verso.
Os poemas, completos
Abra um poema para lê-lo inteiro. Cada estrofe traz primeiro o turco do jeito que ele o dispôs na página e depois a nossa tradução, verso a verso. Ficamos perto do turco em vez de buscar rima, para que você possa acompanhar um com o outro.
1930Kerem Gibi Como Kerem
Hava kurşun gibi ağır!!Bağırbağırbağırbağırıyorum.Koşunkurşunerit--meğeçağırıyorum…O ar está pesado como chumbo!!Gritogritogritoestou gritando.Corram,venham derreterochumbo,estou chamando…
O diyor ki bana:– Sen kendi sesinle kül olursun ey!Keremgibiyanayana…“Deeeertçok,hemdertyok”Yürek--lerinkulak--larısağır…Hava kurşun gibi ağır…Ele me diz:– Você vai virar cinza com a sua própria voz, ei!comoKerem,ardendoe ardendo…“Dooooresmuitas,confidentenenhum”Os ouvidosdoscora--çõesestão surdos…O ar está pesado como chumbo…
Ben diyorum ki ona:– Kül olayımKeremgibiyanayana.Ben yanmasamsen yanmasanbiz yanmasak,nasılçıkarkaran--lıklaraydın--lığa…Eu digo a ele:– Que eu vire cinzacomoKerem,ardendoe ardendo.Se eu não arder,se você não arder,se nós não ardermos,comovão sairas tre--vaspara aluz…
Hava toprak gibi gebe.Hava kurşun gibi ağır.Bağırbağırbağırbağırıyorum.Koşunkurşunerit--meğeçağırıyorum…O ar está prenhe como a terra.O ar está pesado como chumbo.Gritogritogritoestou gritando.Corram,venham derreterochumbo,estou chamando…
1932Mavi Gözlü Dev, Minnacık Kadın ve Hanımelleri O gigante de olhos azuis, a mulher pequenina e as madressilvas
O mavi gözlü bir devdi.Minnacık bir kadın sevdi.Kadının hayali minnacık bir evdi,bahçesinde ebrulihanımeliaçan bir ev.Era um gigante de olhos azuis.Amou uma mulher pequenina.O sonho da mulher era uma casa pequenina,uma casa em cujo jardimfloresce a madressilvarajada.
Bir dev gibi seviyordu dev.Ve elleri öyle büyük işler içinhazırlanmıştı ki devin,yapamazdı yapısını,çalamazdı kapısınıbahçesinde ebrulihanımeliaçan evin.O gigante amava como um gigante.E as mãos do gigante tinham sido feitaspara obras tão grandesque ele não podia erguer a construção,não podia bater à portada casa em cujo jardimfloresce a madressilvarajada.
O mavi gözlü bir devdi.Minnacık bir kadın sevdi.Mini minnacıktı kadın.Rahata acıktı kadınyoruldu devin büyük yolunda.Ve elveda! deyip mavi gözlü deve,girdi zengin bir cücenin kolundabahçesinde ebrulihanımeliaçan eve.Era um gigante de olhos azuis.Amou uma mulher pequenina.A mulher era miudinha, pequenina.A mulher tinha fome de conforto,cansou-se no grande caminho do gigante.E dizendo “Adeus!” ao gigante de olhos azuis,entrou, de braço dado com um anão rico,na casa em cujo jardimfloresce a madressilvarajada.
Şimdi anlıyor ki mavi gözlü dev,dev gibi sevgilere mezar bile olamaz:bahçesinde ebrulihanımeliaçan ev…Agora o gigante de olhos azuis entendeque para amores grandes como um gigante ela não pode ser nem um túmulo:a casa em cujo jardimfloresce a madressilvarajada…
prisão de Bursa, 1945Seni Düşünmek Pensar em você
Seni düşünmek güzel şey,ümitli şey,dünyanın en güzel sesindenen güzel şarkıyı dinlemek gibi birşey…Fakat artık ümit yetmiyor bana,ben artık şarkı dinlemek değil,şarkı söylemek istiyorum…Pensar em você é uma coisa bonita,uma coisa cheia de esperança,algo como ouvir, da voz mais bonita do mundo,a canção mais bonita…Mas a esperança já não me basta,eu já não quero ouvir canções,quero cantá-las…
prisão de Bursa, 1947–48Yaşamaya Dair Sobre viver
1
Yaşamak şakaya gelmez,büyük bir ciddiyetle yaşayacaksınbir sincap gibi mesela,yani, yaşamanın dışında ve ötesinde hiçbir şey beklemeden,yani bütün işin gücün yaşamak olacak.Viver não é brincadeira,você vai viver com grande seriedadecomo um esquilo, por exemplo,quer dizer, sem esperar nada fora e além de viver,quer dizer, viver vai ser todo o seu ofício.
Yaşamayı ciddiye alacaksın,yani o derecede, öylesine ki,mesela, kolların bağlı arkadan, sırtın duvarda,yahut kocaman gözlüklerin,beyaz gömleğinle bir laboratuvardainsanlar için ölebileceksin,hem de yüzünü bile görmediğin insanlar için,hem de hiç kimse seni buna zorlamamışken,hem de en güzel en gerçek şeyinyaşamak olduğunu bildiğin halde.Você vai levar a vida a sério,quer dizer, a tal ponto, de tal modo que,por exemplo, com os braços amarrados nas costas, as costas no muro,ou então com seus óculos enormes,de jaleco branco num laboratório,você poderá morrer pelas pessoas,e ainda por pessoas cujo rosto nunca viu,e ainda sem que ninguém o tenha obrigado a isso,e ainda sabendo que a coisa mais bonita, mais verdadeiraé viver.
Yani, öylesine ciddiye alacaksın ki yaşamayı,yetmişinde bile, mesela, zeytin dikeceksin,hem de öyle çocuklara falan kalır diye değil,ölmekten korktuğun halde ölüme inanmadığın için,yaşamak yanı ağır bastığından.Quer dizer, você vai levar a vida tão a sérioque mesmo aos setenta, por exemplo, vai plantar oliveiras,e não para deixá-las aos filhos ou coisa assim,mas porque, mesmo com medo de morrer, não acredita na morte,porque o lado da vida pesa mais.
2
Diyelim ki, ağır ameliyatlık hastayız,yani, beyaz masadan,bir daha kalkmamak ihtimali de var.Duymamak mümkün değilse de biraz erken gitmenin kederinibiz yine de güleceğiz anlatılan Bektaşi fıkrasına,hava yağmurlu mu, diye bakacağız pencereden,yahut da sabırsızlıkla bekleyeceğizen son ajans haberlerini.Digamos que estamos doentes e precisamos de uma cirurgia grave,quer dizer, que da mesa brancahá também a chance de não nos levantarmos mais.Mesmo que seja impossível não sentir a tristeza de partir um pouco cedo,nós ainda vamos rir da piada bektashi que contam,vamos olhar pela janela para ver se está chovendo,ou então vamos esperar com impaciênciaas últimas notícias do rádio.
Diyelim ki, dövüşülmeye değer bir şeyler için,diyelim ki, cephedeyiz.Daha orda ilk hücumda, daha o günyüzükoyun kapaklanıp ölmek de mümkün.Tuhaf bir hınçla bileceğiz bunu,fakat yine de çıldırasıya merak edeceğizbelki yıllarca sürecek olan savaşın sonunu.Digamos que, por algo pelo qual vale a pena lutar,digamos que estamos no front.Lá, logo no primeiro ataque, naquele mesmo dia,também é possível cair de bruços e morrer.Vamos saber disso com uma raiva estranha,mas mesmo assim vamos querer saber, até enlouquecer,o fim da guerra que talvez dure anos.
Diyelim ki hapisteyiz,yaşımız da elliye yakın,daha da on sekiz sene olsun açılmasına demir kapının.Yine de dışarıyla birlikte yaşayacağız,insanları, hayvanları, kavgası ve rüzgarıylayani, duvarın ardındaki dışarıyla.Digamos que estamos presos,com quase cinquenta anos de idade,e que faltem ainda dezoito anos para a porta de ferro se abrir.Mesmo assim vamos viver com o lado de fora,com sua gente, seus bichos, sua luta e seu vento,quer dizer, com o lado de fora atrás do muro.
Yani, nasıl ve nerede olursak olalımhiç ölünmeyecekmiş gibi yaşanacak…Quer dizer, como e onde quer que estejamos,é preciso viver como se nunca fôssemos morrer…
3
Bu dünya soğuyacak,yıldızların arasında bir yıldız,hem de en ufacıklarından,mavi kadifede bir yaldız zerresi yani,yani bu koskocaman dünyamız.Este mundo vai esfriar,uma estrela entre as estrelas,e das menores,um grão de ouro sobre veludo azul, quer dizer,quer dizer, este nosso mundo enorme.
Bu dünya soğuyacak günün birinde,hatta bir buz yığınıyahut ölü bir bulut gibi de değil,boş bir ceviz gibi yuvarlanacakzifiri karanlıkta uçsuz bucaksız.Este mundo vai esfriar um dia,nem mesmo como um monte de geloou uma nuvem morta,vai rolar como uma noz vaziana escuridão de breu, sem fim.
Şimdiden çekilecek acısı bunun,duyulacak mahzunluğu şimdiden.Böylesine sevilecek bu dünya“Yaşadım” diyebilmen için…Desde já é preciso sofrer essa dor,sentir desde já essa tristeza.Tanto assim se deve amar este mundopara que você possa dizer “Eu vivi”…
1956Kız Çocuğu Menina
Kapıları çalan benimkapıları birer birer.Gözünüze görünememgöze görünmez ölüler.Sou eu que bato às portas,às portas, uma por uma.Não posso aparecer aos seus olhos,os mortos não se veem.
Hiroşima’da ölelioluyor bir on yıl kadar.Yedi yaşında bir kızım,büyümez ölü çocuklar.Desde que morri em Hiroshimavai fazer uns dez anos.Sou uma menina de sete anos,as crianças mortas não crescem.
Saçlarım tutuştu önce,gözlerim yandı kavruldu.Bir avuç kül oluverdim,külüm havaya savruldu.Primeiro meus cabelos pegaram fogo,meus olhos arderam, torraram.Virei de repente um punhado de cinza,minha cinza se espalhou pelo ar.
Benim sizden kendim içinhiçbir şey istediğim yok.Şeker bile yiyemez kikağıt gibi yanan çocuk.Para mim mesma eu não queronada de vocês.Não pode comer nem balaa criança que queimou feito papel.
Çalıyorum kapınızı,teyze, amca, bir imza ver.Çocuklar öldürülmesinşeker de yiyebilsinler.Estou batendo à sua porta,tia, tio, me dê uma assinatura.Que não matem as criançase que elas possam também comer bala.
Balçık, 1957Ceviz Ağacı A nogueira
Başım köpük köpük bulut, içim dışım deniz,Ben bir ceviz ağacıyım Gülhane Parkı’nda,Budak budak, şerham şerham ihtiyar bir ceviz.Ne sen bunun farkındasın, ne polis farkında.Minha cabeça é nuvem de espuma, por dentro e por fora sou mar,eu sou uma nogueira no parque Gülhane,uma nogueira velha, cheia de nós, cheia de cortes.Nem você percebe isso, nem a polícia percebe.
Ben bir ceviz ağacıyım Gülhane Parkı’nda.Yapraklarım suda balık gibi kıvıl kıvıl.Yapraklarım ipek mendil gibi tiril tiril,Koparıver, gözlerinin, gülüm, yaşını sil.Yapraklarım ellerimdir, tam yüz bin elim var.Yüz bin elle dokunurum sana, İstanbul’a.Yapraklarım gözlerimdir, şaşarak bakarım.Yüz bin gözle seyrederim seni, İstanbul’u.Yüz bin yürek gibi çarpar, çarpar yapraklarım.Eu sou uma nogueira no parque Gülhane.Minhas folhas cintilam como peixes na água.Minhas folhas tremulam como um lenço de seda,arranque uma, minha rosa, enxugue as lágrimas dos olhos.Minhas folhas são minhas mãos, tenho exatas cem mil mãos.Com cem mil mãos eu toco você, toco Istambul.Minhas folhas são meus olhos, olho com espanto.Com cem mil olhos eu contemplo você, contemplo Istambul.Como cem mil corações batem, batem as minhas folhas.
Ben bir ceviz ağacıyım Gülhane Parkı’nda.Ne sen bunun farkındasın, ne polis farkında.Eu sou uma nogueira no parque Gülhane.Nem você percebe isso, nem a polícia percebe.
Berlim Oriental, 1961Otobiyografi Autobiografia
1902’de doğdumdoğduğum şehre dönmedim bir dahageriye dönmeyi sevmemüç yaşımda Halep’te paşa torunluğu ettimon dokuzumda Moskova’da komünist Üniversite öğrenciliğikırk dokuzumda yine Moskova’da Tseka-Parti konukluğuve on dördümden beri şairlik ederimNasci em 1902nunca mais voltei à cidade onde nascinão gosto de voltar atrásaos três anos fui neto de paxá em Alepoaos dezenove, estudante da Universidade comunista em Moscouaos quarenta e nove, de novo em Moscou, convidado do Comitê Central do Partidoe desde os catorze exerço o ofício de poeta
kimi insan otların kimi insan balıkların çeşidini bilirben ayrılıklarınkimi insan ezbere sayar yıldızların adınıben hasretlerintem gente que conhece as espécies de ervas, tem gente que as de peixeseu as das separaçõestem gente que recita de cor os nomes das estrelaseu os das saudades
hapislerde de yattım büyük otellerde deaçlık çektim açlık grevi de içinde ve tatmadığım yemek yok gibidirdormi em prisões e também em grandes hotéispassei fome, greve de fome inclusive, e quase não há comida que eu não tenha provado
otuzumda asılmamı istedilerkırk sekizimde Barış madalyasının bana verilmesiniverdiler deotuz altımda yarım yılda geçtim dört metre kare betonuelli dokuzumda on sekiz saatta uçtum Pırağ’dan Havana’yaaos trinta quiseram me enforcaraos quarenta e oito, que me dessem a medalha da Paze deram mesmoaos trinta e seis atravessei em meio ano quatro metros quadrados de concretoaos cinquenta e nove voei de Praga a Havana em dezoito horas
Lenin’i görmedim nöbet tuttum tabutunun başında 924’de961’de ziyaret ettiğim anıtkabri kitaplarıdırnão vi Lenin, montei guarda junto ao seu caixão em 24em 61 o mausoléu que visitei são os seus livros
partimden koparmağa yeltendiler benisökmediyıkılan putların altında da ezilmedimtentaram me arrancar do meu partidonão deu certotambém não fiquei esmagado debaixo dos ídolos que caíam
951’de bir denizde genç bir arkadaşla yürüdüm üstüne ölümün52’de çatlak bir yürekle dört ay sırtüstü bekledim ölümüem 51, no mar, com um jovem amigo, caminhei em direção à morteem 52, com o coração rachado, esperei a morte quatro meses de barriga para cima
sevdiğim kadınları deli gibi kıskandımşu kadarcık haset etmedim Şarlo’ya bilealdattım kadınlarımıkonuşmadım arkasından dostlarımıntive um ciúme louco das mulheres que ameinão tive inveja nem um tantinho assim, nem de Carlitostraí as minhas mulheresnão falei pelas costas dos meus amigos
içtim ama akşamcı olmadımhep alnımın teriyle çıkardım ekmek paramı ne mutlu banabebi mas não virei um bebedor de todas as noitessempre ganhei meu pão com o suor do meu rosto, feliz de mim
başkasının hesabına utandım yalan söyledimyalan söyledim başkasını üzmemek içinama durup dururken de yalan söyledimsenti vergonha pelos outros, mentimenti para não magoar os outrosmas também menti sem motivo nenhum
bindim tirene uçağa otomobileçoğunluk binemiyoroperaya gittimçoğunluk gidemiyor adını bile duymamış operanınçoğunluğun gittiği kimi yerlere de ben gitmedim 21’den bericamiye kiliseye tapınağa havraya büyücüyeama kahve falıma baktırdığım olduandei de trem, de avião, de automóvela maioria não tem como andar nelesfui à óperaa maioria não pode ir, nem sequer ouviu falar da óperae a certos lugares aonde a maioria vai eu não fui desde 21mesquita, igreja, templo, sinagoga, feiticeiromas já aconteceu de eu mandar ler a borra do meu café
yazılarım otuz kırk dilde basılırTürkiye’mde Türkçemle yasakmeus escritos são impressos em trinta, quarenta línguasna minha Turquia, na minha língua turca, são proibidos
kansere yakalanmadım dahayakalanmam da şart değilbaşbakan filân olacağım yokmeraklısı da değilim bu işinbir de harbe girmedimsığınaklara da inmedim gece yarılarıyollara da düşmedim pike yapan uçakların altındaama sevdalandım altmışıma yakınsözün kısası yoldaşlarbugün Berlin’de kederden gebermekte olsam dainsanca yaşadım diyebilirimve daha ne kadar yaşarımbaşımdan neler geçer dahakim bilir.ainda não peguei câncere nem é obrigatório que eu peguenão vou virar primeiro-ministro nem nada dissonem tenho interesse nesse ofícioe também não fui à guerranão desci aos abrigos no meio da noitenão me joguei pelas estradas debaixo de aviões em mergulhomas me apaixonei perto dos sessentaresumindo, camaradasmesmo que hoje em Berlim eu esteja morrendo de desgostoposso dizer que vivi como um ser humanoe quanto ainda vou vivero que mais vai me acontecerquem sabe.
1962Vatan Haini Traidor
“Nâzım Hikmet vatan hainliğine devam ediyor hâlâ.Amerikan emperyalizminin yarı sömürgesiyiz, dedi Hikmet.Nâzım Hikmet vatan hainliğine devam ediyor hâlâ.”Bir Ankara gazetesinde çıktı bunlar, üç sütun üstüne, kapkara haykıran puntolarla,bir Ankara gazetesinde, fotoğrafı yanında Amiral Vilyamson’un66 santimetre karede gülüyor, ağzı kulaklarında, Amerikan amiraliAmerika, bütçemize 120 milyon lira hibe etti, 120 milyon lira.“Amerikan emperyalizminin yarı sömürgesiyiz, dedi HikmetNâzım Hikmet vatan hainliğine devam ediyor hâlâ.”“Nâzım Hikmet continua ainda com sua traição à pátria.Somos uma semicolônia do imperialismo americano, disse Hikmet.Nâzım Hikmet continua ainda com sua traição à pátria.”Isto saiu num jornal de Ancara, em três colunas, com letras pretíssimas que gritavam,num jornal de Ancara, ao lado da foto do almirante Williamsonque ri em 66 centímetros quadrados, sorrindo de orelha a orelha, o almirante americano.A América doou ao nosso orçamento 120 milhões de liras, 120 milhões de liras.“Somos uma semicolônia do imperialismo americano, disse HikmetNâzım Hikmet continua ainda com sua traição à pátria.”
Evet, vatan hainiyim, siz vatanperverseniz, siz yurtseverseniz, ben yurthainiyim, ben vatan hainiyim.Vatan çiftliklerinizse,kasalarınızın ve çek defterlerinizin içindekilerse vatan,vatan, şose boylarında gebermekse açlıktan,vatan, soğukta it gibi titremek ve sıtmadan kıvranmaksa yazın,fabrikalarınızda al kanımızı içmekse vatan,vatan tırnaklarıysa ağalarınızın,vatan, mızraklı ilmühalse, vatan, polis copuysa,ödeneklerinizse, maaşlarınızsa vatan,vatan, Amerikan üsleri, Amerikan bombası, Amerikan donanması topuysa,vatan, kurtulmamaksa kokmuş karanlığımızdan,ben vatan hainiyim.Yazın üç sütun üstüne kapkara haykıran puntolarla :Nâzım Hikmet vatan hainliğine devam ediyor hâlâ.Sim, sou traidor da pátria; se vocês são patriotas, se vocês amam a sua terra, eu sou traidorda terra, eu sou traidor da pátria.Se a pátria são as suas fazendas,se a pátria é o que há dentro dos seus cofres e dos seus talões de cheque,se a pátria é morrer de fome à beira das estradas,se a pátria é tremer de frio como um cão e se contorcer de malária no verão,se a pátria é beber o nosso sangue vermelho nas suas fábricas,se a pátria são as garras dos seus latifundiários,se a pátria é o catecismo de lança, se a pátria é o cassetete da polícia,se a pátria são as suas verbas e os seus salários,se a pátria são as bases americanas, a bomba americana, o canhão da frota americana,se a pátria é não nos livrarmos da nossa escuridão podre,eu sou traidor da pátria.Escrevam em três colunas com letras pretíssimas que gritem:Nâzım Hikmet continua ainda com sua traição à pátria.
Onde ele os escreveu
Sua vida cruzou o mesmo mar várias vezes. Acompanhe-a no mapa, da cidade onde nasceu à cidade onde morreu.

- 1902 · TessalônicaNasceu em 15 de janeiro de 1902 em Selanik, então uma cidade otomana e hoje Tessalônica, na Grécia. Nunca voltou.
- 1915–1921 · Istambul e AnatóliaEstudou na escola naval de Heybeliada, uma das ilhas dos Príncipes, até que problemas de saúde encerraram sua carreira na Marinha. Em 1921, atravessou para a Anatólia para participar da Luta Nacional e foi professor em Bolu.
- 1922–1924 · MoscouEstudou na Universidade Comunista dos Trabalhadores do Oriente e conheceu o novo verso livre da Rússia revolucionária. Voltou escrevendo como ninguém havia escrito em turco antes dele.
- 1928–1938 · IstambulVoltou clandestinamente à Turquia com um passaporte falso em 1928 e foi preso na fronteira. Seus livros continuaram saindo, a começar por 835 Satır em 1929. Os processos também continuaram.
- 1938–1950 · Istambul, Çankırı, BursaEm 1938, tribunais militares o condenaram a longas penas. Foi transferido de Istambul para Çankırı e depois para a prisão de Bursa, onde escreveu seus melhores poemas de amor e sua epopeia.
- 1951 · Mar NegroUm ano após ser libertado, saiu de Istambul de lancha em 17 de junho de 1951 e chegou a Moscou passando pela Romênia.
- 1957 · Balçık, BulgáriaNa costa búlgara do mar Negro, voltado para sua terra natal, datou A nogueira em 1º de julho de 1957.
- 1963 · MoscouMorreu de infarto em Moscou em 3 de junho de 1963, aos 61 anos, e está sepultado no cemitério Novodevichy.
Doze anos preso: amor de dentro de uma cela
Em 1938, dois tribunais militares o condenaram a 15 anos e depois a mais 20 por incitar cadetes à revolta; o total foi posteriormente reduzido para 28 anos e 4 meses. Foi transferido de Istambul para Çankırı em 1940 e para a prisão de Bursa em dezembro daquele ano. Foi em Bursa que ele escreveu a maioria dos poemas que as pessoas citam hoje.

Escrevia à sua esposa Piraye e para ela, com quem se casara em 1935. Seni Düşünmek é datado de 30 de setembro de 1945. Yaşamaya Dair veio em 1947–48: a vida é séria, diz o poema, mesmo se você estiver preso e perto dos cinquenta. Em maio de 1949, veio o poema de conselhos para quem enfrenta uma pena longa.
A prisão lhe deu tempo, e ele o usou para escrever poemas sobre não desperdiçar o tempo.
Escritores e artistas no exterior fizeram campanha por sua libertação a partir de 1949. Em 8 de abril de 1950, ele iniciou uma greve de fome. Foi libertado em 15 de julho de 1950 por uma anistia geral, após mais de doze anos. Em novembro daquele ano, o Conselho Mundial da Paz lhe concedeu seu prêmio da paz; Pablo Neruda o recebeu em seu nome.
A nogueira e outros mitos
Ceviz Ağacı começa com sua cabeça como uma nuvem de espuma e o mar por dentro e por fora, e então ele se torna uma nogueira no parque Gülhane, junto ao palácio Topkapı, que ninguém percebe. É seu poema sobre a terra natal mais querido e o que reúne mais histórias. Toque em um cartão para conferi-las.
“Ele escreveu A nogueira enquanto se escondia da polícia no parque Gülhane.”
Não. O poema é datado de 1º de julho de 1957, em Balçık, na Bulgária, seis anos depois do início de seu exílio. Gülhane é onde ele se imagina, não onde estava sentado. O teyit.org rastreou a história do esconderijo e não encontrou nada que a sustentasse.
“Ele nasceu em Istambul.”
Nasceu em Selanik, hoje Tessalônica, na Grécia, em 15 de janeiro de 1902. Sua Autobiografia diz que nunca voltou à cidade onde nasceu.
“Ele está sepultado na Turquia.”
Seu túmulo fica no cemitério Novodevichy, em Moscou, onde morreu em 1963. O túmulo continua lá.
De qualquer forma, vale a pena caminhar pelo verdadeiro parque Gülhane: ele desce do palácio Topkapı em direção à água, e suas árvores antigas fazem sombra sobre os caminhos.
1951: o barco e o passaporte
Livre novamente, partiu em 17 de junho de 1951. Uma pequena lancha o levou do Bósforo ao mar Negro; de lá, seguiu pela Romênia até Moscou. Deixou para trás seu filho Mehmet, nascido em março daquele ano, e a mãe do menino, Münevver.

Passou seus últimos doze anos morando em Moscou e viajando muito, e continuou escrevendo sobre a Turquia: Ceviz Ağacı na Bulgária, Otobiyografi em Berlim Oriental e Vatan Haini em resposta a um jornal que o chamou de traidor.
Cidadania
1951 → 2009
O Conselho de Ministros retirou sua cidadania turca em 25 de julho de 1951. Uma decisão do Conselho de Ministros de 5 de janeiro de 2009, publicada na gazeta do Estado turco em 10 de janeiro, a devolveu, 46 anos após sua morte.
As obras longas, para depois
Quando os poemas curtos já tiverem conquistado você, estas são as grandes obras. Duas foram escritas na prisão, incluindo a mais longa.
Memleketimden İnsan Manzaraları
Paisagens humanas do meu país: uma viagem de trem pela Turquia nos anos de guerra, contada por meio de centenas de pessoas comuns. Escrito na prisão.
Kuvâyi Milliye
As forças nacionais: a Guerra de Independência contada pela perspectiva de moradores de aldeias, carroceiros e soldados, em vez de generais. Também escrito na prisão.
Şeyh Bedreddin Destanı
A epopeia do xeque Bedreddin (1936): um rebelde do século XV, seus seguidores e sua derrota. Seu último livro impresso na Turquia enquanto ele ainda vivia.
Leia sua obra em inglês
Randy Blasing e Mutlu Konuk traduziram as duas edições da Persea para o inglês. Comece pela seleção de poemas, depois leia a epopeia acima na tradução da mesma dupla (com prefácio de Edward Hirsch); acrescente uma biografia quando quiser conhecer a história por trás das obras.
Poems of Nazim Hikmet
Traduzido por Randy Blasing e Mutlu Konuk, com prefácio de Carolyn Forché. A segunda edição, revista e ampliada, é a melhor seleção em volume único em inglês.
Nâzım Hikmet: The Life and Times of Turkey’s World Poet
Uma biografia em inglês de Mutlu Konuk Blasing, uma de suas tradutoras (2013).
Romantic Communist
Romantic Communist: The Life and Work of Nazım Hikmet, de Saime Göksu e Edward Timms (1999), em inglês. A expressão é o título do livro, não um antigo apelido.
Para conhecer uma escritora que também participou da Luta Nacional na Anatólia, leia sobre Halide Edip Adıvar.
Perguntas dos leitores
Qual é o poema mais famoso de Nazım Hikmet?
Não há uma única resposta. Na Turquia, Ceviz Ağacı (A nogueira), Seni Düşünmek e Yaşamaya Dair (Sobre viver) estão entre os mais citados.
Por que ele foi preso?
Em 1938, tribunais militares o condenaram por incitar cadetes do Exército e da Marinha à revolta. A principal prova era que os cadetes liam seus poemas. Cumpriu mais de doze anos de prisão, de 1938 a 1950, e foi libertado por uma anistia após uma greve de fome e uma campanha de escritores no exterior.
Ele ainda era cidadão turco quando morreu?
Não. O governo retirou sua cidadania em 25 de julho de 1951, semanas após sua partida. Uma decisão do Conselho de Ministros de 5 de janeiro de 2009, publicada na gazeta do Estado turco em 10 de janeiro de 2009, a devolveu, 46 anos após sua morte.
Onde ele está sepultado?
No cemitério Novodevichy, em Moscou. Morreu nessa cidade em 3 de junho de 1963, aos 61 anos.
Quem foi Piraye?
Sua esposa a partir de 1935 e a mulher a quem se dirigem muitos de seus poemas de amor escritos na prisão, incluindo Seni Düşünmek. Suas outras companheiras foram Nüzhet, Lena Yurchenko, Münevver, mãe de seu filho Mehmet (nascido em 1951), e Vera Tulyakova, nos últimos anos de sua vida.
Posso ler os poemas completos em turco?
Sim. Oito dos dez estão completos nesta página, cada um com a nossa tradução verso a verso. Muitas versões na internet têm erros, então confira as outras com uma coletânea impressa.
Fontes
As datas dos poemas seguem as datas impressas abaixo deles em suas obras reunidas. Quando as fontes discordavam sobre a data de um poema, deixamos esse poema de fora. As traduções dos poemas para o português são nossas, feitas verso a verso a partir do turco. Excluímos afirmações que não conseguimos confirmar, incluindo a história do esconderijo em Gülhane e várias citações que circulam na internet atribuídas a ele.
- Nâzım Hikmet: biografia — Fundação de Cultura e Arte Nâzım Hikmet, conferido em 9–10 de outubro de 2026
- Nâzım Hikmet — Wikipédia em turco, com as datas de tribunais, prisões e gazeta citadas no artigo, conferido em 9–10 de outubro de 2026
- Nâzım Hikmet şiirleri listesi (lista de poemas com datas) — Wikipédia em turco, conferido em 9–10 de outubro de 2026
- Nazım Hikmet ve Ceviz Ağacı şiiri iddiası — Checagem de fatos do teyit.org, conferido em 9–10 de outubro de 2026
- Poems of Nazim Hikmet, trad. Randy Blasing e Mutlu Konuk — Persea Books, conferido em 9–10 de outubro de 2026
- Human Landscapes from My Country — Persea Books, conferido em 9–10 de outubro de 2026
- Mutlu Konuk Blasing — Academy of American Poets, conferido em 9–10 de outubro de 2026
- Romantic Communist: The Life and Work of Nazım Hikmet — Hurst Publishers, conferido em 9–10 de outubro de 2026
- Nazim Hikmet — Academy of American Poets, conferido em 9–10 de outubro de 2026
Ilustrações feitas para este guia. Elas não retratam Nazım Hikmet nem qualquer pessoa real.
